Salvador recebeu, no último dia 27 de abril, representantes dos onze destinos onde o Movimento Brasil de Turismo e Cultura atua, para fazer um balanço sobre suas experiências e realizações ao longo dos últimos três anos e apresentar um resumo das reflexões sobre Cultura Brasileira da Hospitalidade, geradas a partir da série de colóquios realizados sobre o tema. Juntamente com representantes do Instituto de Hospitalidade, do Sebrae Bahia, do Sebrae Nacional e do Ministério do Turismo, parceiros na promoção dessa iniciativa, os convidados relataram suas dificuldades e avanços na implementação da metodologia do MBTC como alavanca para o desenvolvimento sustentável em suas regiões turísticas.
Pela manhã, os parceiros institucionais fizeram um balanço de suas impressões sobre o avanço dos trabalhos. “A proposta deste encontro é pensar o que fizemos de certo e de errado para fazer melhor daqui para frente”, disse Elsie Marchini, representante do Sebrae Nacional. O Sebrae apóia o MBTC desde sua criação, com o objetivo de valorizar as diferenças culturais de cada estado e desta forma fomentar novos negócios, principalmente para pequenos empresários. Richard Alves, do Sebrae Bahia, destacou que o estado tem características muito singulares, mas ainda carece de desenvolvimento estruturante, para que se possa trabalhar melhor a integração do turismo e da cultura.
A representante do Ministério do Turismo, Carolina Campos, discorreu sobre os aprendizados colhidos pelo MTur a partir do seu envolvimento com o Movimento, registrando que ainda existe preconceito sobre o impacto negativo do turismo na cultura local. “O turismo não sustentável pode exterminar as tradições locais”, afirmou. Carolina também fez algumas recomendações, como a flexibilização das fases do MBTC de acordo com as características de cada região e a preocupação de gerar produtos turísticos a partir das tematizações realizadas nos destinos.
Silvestre Teixeira, do IH, fez uma retrospectiva das reflexões geradas a partir dos três colóquios realizados em 2006, sobre Cultura Brasileira da Hospitalidade, tema do Seminário. Teixeira ressaltou que o Movimento Brasil vive um novo momento: “os destinos têm que preparar os futuros receptores e os futuros hóspedes para essa nova realidade baseada nos aspectos da sustentabilidade e na valorização do jeito de ser e receber do brasileiro.”. Cassio Garkalns, coordenador do Movimento Brasil pelo Instituto de Hospitalidade, lembrou que em 2007 o Fórum Mundial de Turismo migra para outro país. Idealizado como projeto demonstrativo do Fórum, o fato marca a emancipação do MBTC, que passa a atuar de forma independente. “A emancipação traz conseqüências positivas, mas, sobretudo, novas responsabilidades. É fundamental fortalecer a rede dos destinos para que se possa continuar avançando sobre essa nova ótica.”, afirmou Garkalns.
O estágio de integração dessa rede ficou claro na parte da tarde, quando os representantes dos destinos relataram suas experiências como integrantes do Movimento. As apresentações mostraram que apesar das dificuldades enfrentadas, as localidades integrantes do MBTC vislumbram hoje novas oportunidades de crescimento, e estão conseguindo se diferenciar enquanto destinos turísticos. Os depoimentos feitos pelos representantes dos destinos ressaltaram que a metodologia utilizada pelo Movimento Brasil tem permitido a criação de um cenário mais favorável, estimulando o associativismo, a aproximação com a comunidade, e a criação de produtos turísticos sintonizados com as tradições históricas, culturais e naturais de cada região.
Em São Luiz, os produtos criados pelo Projeto Sustentar, bandeira escolhida para a atuação do MBTC na região, estão resgatando antigos valores perdidos com o passar dos anos e criando novas oportunidades de renda para a comunidade. Mauro Andrade, do Sebrae Maranhão, compartilhou com os presentes a experiência do Bairro do Desterro, onde o Movimento Brasil foca suas atividades neste destino. A tematização – uma das principais etapas contempladas na metodologia do MBTC – foi citada com um dos principais diferenciais da iniciativa. Beatriz Paulus, da Atuaserra, entidade parceira do MBTC em Santa Tereza, ressaltou que os turistas já percebem as nuances destacadas nos novos roteiros criados. “É gratificante ver a comunidade conseguindo se posicionar perante o país”, declarou Beatriz. Em Monteiro, interior da Paraíba, a música e o teatro são as bases principais da tematização do destino, assim como o artesanato - a renda renascença é tradição local. “Depois da criação da cooperativa, os artesãos estão vendendo seus produtos para grandes grifes nacionais e para eventos de moda, como o São Paulo Fashion Week”, informou Rivelino Rafael, Secretário Municipal de Cultura e Turismo de Monteiro.
Já em Brazlândia, o Movimento Brasil conseguiu integrar diversas iniciativas que atuavam de forma isolada, potencializando seus resultados. Sob o tema “Terra de Encontros”, novos roteiros estão sendo oferecidos aos visitantes, convidados a “encontrar” o lado verde de Brasília. “A comunidade não conhecia seus próprios produtos”, afirmou Rosany Carneiro, da Associação de Desenvolvimento Sustentável de Brazlândia. Para Sebastião Curado, proprietário da agência de viagens Ourotur, a mobilização da comunidade também foi um dos maiores impactos gerados pelo Movimento Brasil na Cidade de Goiás, patrimônio histórico da humanidade: “o Movimento fez com que, apesar das diferenças, todos sentassem na mesma sala para discutir a Cidade de Goiás”, declarou. Com a quebra de paradigmas e a mudança de cenários, a tematização tem ajudado essas comunidades a redescobrir os seus valores e resgatar sua auto-estima. “Tematizar é coroar o que temos, com requinte único”, concluiu Curado.
Mais informações: www.movimentobrasil.org.br