Música do ecerramento
Ter conhecimento, com investimento
Turismo traz desenvolvimento
Viajante vem, viajante vai
Turista leva, turista traz
Responsabilidade, respeito à localidade,
Leva daqui lembranças e amizades.
Nos últimos 3 dias, o jovem se juntou
Debateu, ouviu, falou
De possibilidades, da realidade, de ser responsável
Sem perder a qualidade.
Ter conhecimento, com investimento
Turismo traz desenvolvimento
O jovem falou
Pena que pouca gente ouviu
Precisa de mais ouvintes
Para mudar o Brasil.
Unidos, jamais seremos vencidos
Os 5 eixos serão compreendidos
Não deixar turista, bancar o Lobo Mau
Nem a Chapeuzinho se vender por R$ 1,00.
Ter conhecimento, com investimento
Turismo traz desenvolvimento
O Governo tem que cumprir seu papel
Não deixar brecha, não libertar o réu
Se cometeu um crime, vai ter que pagar
E só depois, para casa voltar.
Ter conhecimento, com investimento
Turismo traz desenvolvimento
Fim do subsidio para a rede de hotel
Mais para comunidade, que está jogada ao léu
Ter conhecimento, com investimento
Turismo traz desenvolvimento
Ter conhecimento, com investimento
Turismo traz desenvolvimento
Ter conhecimento, com investimento
Turismo traz desenvolvimento
(Manoel Soares - CUFA Porto Alegre)
Carta de Recomendação da Juventude
Senhoras e Senhores,
Nós, representantes das juventudes mundiais, trazemos nesta carta princípios e recomendações do que cremos ser as bases para a construção de um turismo verdadeiramente sustentável: econômica e sócio-ambientalmente.
Esta Carta divide-se nos seis eixos temáticos do Fórum Mundial de Turismo, tendo como eixo transversal a temática da juventude. Além dos princípios e recomendações para os eixos, também queremos registrar através desta Carta algumas recomendações quanto à própria concepção e realização do Destinations2006.
1. Eixo - Preservação da Biodiversidade
Princípios:
- Valorização a vida através da transdiciplinaridade;
- Conhecimento das ferramentas de preservação da biodiversidade existentes no setor público, privado e sociedade por todos os mecanismos de turismo;
- Estímulo, por parte das grandes corporações do turismo, de destinos (países e localidades) que assinem e cumprem leis e tratados de conservação da biodiversidade;
Recomendações:
- Ampliação do eixo temático do Fórum de “Preservação da Biodiversidade” para “Preservação e Conservação da Biodiversidade”;
- Criação de uma política pública de educação ambiental, em escolas e espaços de educação não formal, financiada pelo trade turístico e por recursos provenientes do turismo que utiliza os recursos da biodiversidade;
- Inserção dos seguintes critérios para aprovação de recursos provenientes do Ministério do Turismo para projetos locais: trabalho com o protagonismo juvenil, a preservação e conservação da biodiversidade e o turismo de base comunitária .
- Definição da capacidade de suporte que influencia a comunidade em áreas naturais onde há atividade turística;
- Construção e implementação do Plano de Manejo prevendo a participação juvenil nas Unidades de Conservação.
2. Eixo – Desenvolvimento Social
Princípios:
- Educação básica de qualidade para todos;
- Turismo voltado ao Desenvolvimento Social;
- Gestão do turismo no município com participação efetiva da comunidade e da juventude;
- Convivência entre turista e comunidade, promovendo o contato com a realidade local;
- Direito à terra pelas comunidades locais, garantindo o direito à moradia e permanência da juventude.
Recomendações:
- Viabilizar, com urgência, educação básica de qualidade para crianças e jovens, incluindo questões de empreendedorismo e turismo;
- Criar políticas públicas nacionais (Ministério do Turismo), estaduais e municipais que fomentem e apóiem o ganho de escala do turismo de base comunitária.
- Criar pactos sociais entre os diversos atores sociais relacionados ao turismo, que estimule e efetive a participação e o investimento na melhoria da educação, saneamento e saúde da comunidade local, através de fundos provenientes dos investimentos privados.
- Apoiar a criação, permanência e fortalecimento de associações de moradores e projetos de protagonismo juvenil como exercício de participação em localidades turísticas.
- Implantar programas de formação para participação de jovens nos diversos espaços sociais.
- Criar e/ou ativar Conselhos de Turismo Estaduais e Municipais com assento para jovens.
- Criar espaços públicos de esporte, cultura e lazer públicos que beneficiem e integrem a comunidade local e o turista.
3. Eixo – Desenvolvimento Econômico
Princípios:
- Geração e distribuição de renda eqüitativa, praticando preços justos, satisfazendo comunidades e turistas;
- Geração de emprego com justa remuneração e promoção de oportunidades de empreendedorismo para os jovens locais;
- Visão do turismo como uma possibilidade de diversificação econômica das comunidades locais, respeitando o patrimônio local.
Recomendações:
- Priorizar - em todas as instâncias do poder público - planos, programas e projetos de desenvolvimento turístico, fundamentados no princípio da solidariedade e no turismo de base local ;
- Constituir fundos de gestão comunitária subsidiados por parte dos benefícios financeiros advindos do desenvolvimento da atividade turística local (taxa de turista, impostos etc);
- Destinar parte dos recursos de investimentos governamentais em turismo (PRODETUR e outros programas) para comunidades excluídas e com potencial para o desenvolvimento turístico.
4. Eixo – Valorização da Diversidade Cultural
Princípios:
- Valorização da cultura local (dialetos, músicas, movimentos, monumentos, festas, artesanato etc).
Recomendações:
- Criar novos roteiros turísticos locais com jovens, identificando e valorizando o patrimônio material e imaterial da região;
- Introduzir a pesquisa, o estudo e a vivência da cultura local nas escolas públicas, destacando o potencial turístico sustentável da região;
- Incentivar e promover trocas culturais com outros países, através de intercâmbios e meios de comunicação (internet, carta etc).
5. Eixo – Geração de Condições para a Paz Mundial
Princípios:
- Respeito entre os povos;
- Reconhecimento e valorização das identidades culturais;
- Integração entre pessoas de diferentes níveis econômicos, sociais e comunidades;
- Igualdade de oportunidades a todos os povos.
Recomendações:
- Criar programas turísticos de integração entre escolas e comunidades regionalmente;
- Ampliar programas existentes de intercâmbio cultural entre países;
- Melhorar a educação trazendo o turismo como uma experiência de reconhecimento das identidades dos povos;
- Formar e fortalecer a auto-percepção dos jovens como cidadãos do mundo, a partir da integração em redes internacionais e do apoio à participação de grupos e comunidades no Fórum Internacional de Turismo Solidário.
6. Eixo – Combate à Exploração Sexual e Tráfico de Crianças e Adolescentes
Princípios:
- Cumprimento do Estatuto da Criança e do Adolescente;
- Consideração das realidades e peculiaridades de cada região ao pensar no combate à exploração sexual.
Recomendações:
- Exigir um Código de Conduta referente ao combate à exploração sexual infanto-juvenil como documento na abertura de micro, pequena, média e grandes empresas de turismo;
- Tornar obrigatória a utilização do aviso: “Aqui a exploração sexual e tráfico de crianças e adolescentes é crime!” nos materiais publicitários que divulguem o turismo no Brasil;
- Valorizar as belezas naturais e culturais do Brasil e de outros países sem explorar conotações sexuais;
- Incluir na Campanha Unificada na América do Sul de Combate à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes questões referentes ao uso abusivo de drogas lícitas e ilícitas;
- Apoiar a comunidade (organizações e/ou movimentos) para que crie e implemente iniciativas de educação e saúde (relacionadas à sexualidade e uso abusivo de drogas) para crianças e jovens;
- Incluir o jovem como agente fundamental de diálogo com outros jovens em programas já existentes de combate à exploração sexual e tráfico de crianças e adolescentes. E criar estes programas nas localidades que ainda não são implementados;
- Criar campanhas educativas, produzir e tornar pública informação que previnam a exploração sexual infanto-juvenil e o uso abusivo de drogas com recursos captados com empresas do trade turístico.
7. Recomendações em Relação ao Fórum Mundial de Turismo
Participação Juvenil:
- Participação efetiva da juventude no planejamento do Fórum;
- Participação de representantes juvenis nas mesas dos painéis e plenárias dos diversos temas trazidos no Forum, sem a criação de painéis isolados para tratar de juventude.
Participação da Sociedade Civil:
- Para que a discussão sobre paz e desenvolvimento sustentável seja democrática e legítima, é fundamental um maior envolvimento e representatividade da sociedade civil no Destinations (comunidades indígenas, quilombolas, ONGs, comunidades rurais, pesqueiras etc).
Os princípios e recomendações elaborados durante este Fórum Mundial de Turismo representam a nossa contribuição aos desafios existentes na busca de um turismo integrado aos valores de um mundo solidário, equânime, diverso, democrático e, portanto, sustentável.
Aproveitamos também para reforçar a importância da continuidade do diálogo entre o Grupo de Jovens aqui representado e o Ministério do Turismo.
Agradecemos, em nome da juventude, pela oportunidade de expressarmos nossas vozes na Solenidade de Encerramento dos Destinations. Além do agradecimento, gostaríamos também de dizer que acreditamos e trabalhamos para que a participação efetiva da juventude deixe de ser um sonho e um direito para se tornar realidade, não só na discussão do turismo, mas, principalmente, na construção de um novo Brasil e de um novo mundo.
Porto Alegre, 02 de dezembro de 2006.
Turismo de Base Comunitária
O Fórum, em plenárias e painéis, focou na necessidade de soluções sustentáveis que ganhem escala. Acreditamos que ao falar de turismo como estratégia para melhoria social, ambiental e econômica, o modelo que mais se assemelha ao enfatizado por Paulo Itacaramby é o modelo de turismo de base comunitária.
No Brasil existe cerca de 20 projetos de qualidade gerando resultados com cerca de 10 anos de implantação. Alguns, inclusive, já impactam políticas públicas que poderiam servir de exemplo.
O que queremos enfatizar aqui é que a escala no turismo comunitário já pode ser alcançada. São projetos com indicadores claros que passaram por processos de planejamento profundos, constantes e, acima de tudo, participativos.
Na palestra do Sr. Lelei Laloulou – Counterpart International, ele afirmou que desaconselha fortemente o investimento estrangeiro e grandes resorts que não estejam totalmente envolvidos com a comunidade. Quais são os resorts assim no Brasil?
Por que não canalizar esse subsídio diretamente para um modelo de turismo de pequenos empreendimentos, de propriedade da comunidade que fixe o jovem em seu território com uma atividade lucrativa, valorizando sua identidade e cultura, favorecendo o empreendedorismo e a participação?
Nossa defesa é pela inovação, é pela escala com qualidade e ela está focada em quem hoje mais sente falta de paz no Brasil.
Cecília Zanotti, Projeto Bagagem
Podia ter ido além...
No painel sobre Observação da Biodiversidade que participei os palestrantes não avançaram muito na exposição de soluções efetivas.
Parecia o mesmo discurso da ECO 92 e podia ter ido além disso. De lá para cá muitas coisas já foram construídas e discutidas.
Foi muito mais um bate-papo entre os integrantes da mesa do que um diálogo com as pessoas que estavam presentes.
Os palestrantes eram pessoas importantes, influentes e poderiam ter contribuído mais.
Alexandre, Projeto Estrelas do Mar - Instituto Ilhas
Turismo e Infância
Fizemos uma entrevista com o Diego, 24 anos da Associação Comunitária Campo da Tuca, que participou do Seminário Turismo Sustentável e Infância.
O que você achou do Seminário?
Diego - Eu achei muito esclarecedor e provocativo. As experiências que foram trazidas em Hotéis aplicam um Código para funcionários e clientes para combater a exploração sexual infantil e inibir o turismo sexual.
Como é esse Código?
Diego - Eles exigem que os adultos hospedados nos hotéis entrem com crianças apenas com autorização dos pais. Eles também aplicam o código, que tem muitas outras regras, com funcionários e fornecedores.
E como acontece com os funcionários?
Diego - Eles são treinados para cumprirem o código de conduta. Eles também assinam um termo de compromisso de que irão cumprir o código quando são admitidos. O funcionário também ganha total apoio do hotel para fazer cumprir as regras do código.
Como surgiu esta idéia do Código?
Diego - Na verdade já existe um código internacional - THE CODE - que foi adaptado: www.thecode.com . O Grupo Accor também disponibiliza o código que utilizam na página da internet.
Como o Código ajuda a combater a exploração sexual infantil e o turismo sexual?
Diego - Ele inibe o turismo sexual, pois o acompanhante tem que ser registrado na recepção e pagar o valor extra do quarto. Além disso, o hóspede tem que assinar um termo de responsabilidade pelo visitante, assumindo qualquer risco.
E no caso da infância?
Diego - Não só inibe, mas combate esta prática.
Quais foram as outras experiências que você viu no Seminário?
Diego - Teve também a Operadora Freeway, a Rede de Hotéis Atlantica e o Grupo Kuoni. A Freeeway rompe o contrato com fornecedores que não cumprem o código, como pousadas por exemplo. Eles até deram um exemplo de um hotel na Amazônia com o qual foi rompido o contrato.
Deixe aqui suas opiniões sobre esta forma de combater o turismo sexual com crianças!!!